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Rastreio do Cancro do Colo do Útero em Portugal: Tempo de Mudança | 9 maio

No passado dia 9 de maio, o Serviço de Anatomia Patológica e o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do HGO organizaram uma Jornada sobre o Rastreio do Cancro do Colo do Útero em Portugal: Tempo de Mudança, no TRYP Lisboa Caparica Mar Hotel, na Costa de Caparica, em Almada.


Rastreio nacional ao cancro do colo do útero vai abranger todo o universo de mulheres inscritas nos centros de saúde


Todas as mulheres com idades entre os 25 e os 60 anos que estejam inscritas nos centros de saúde estão a ser convocadas para fazer rastreio ao cancro do colo do útero, de acordo com um projeto de caráter nacional do Ministério da Saúde e que vem garantir de forma mais equitativa o acesso à prevenção deste tipo de patologia, independentemente de a utente ter ou não médico de família.

A notícia foi avançada recentemente pelo Dr. Nuno Miranda, Diretor Nacional para as Doenças Oncológicas, durante uma jornada científica que se realizou na Costa de Caparica, em Almada, no passado dia 9 de maio, sobre o “Rastreio do Cancro do Colo do Útero em Portugal: tempo de mudança”, e que contou com a presença de conceituados especialistas nacionais e internacionais.

Segundo o Diretor Nacional para as Doenças Oncológicas, o teste primário com HPV de base populacional, vai ser feito com um intervalo de cinco anos. Nas próximas semanas, será publicada uma norma da DGS para uniformizar os rastreios, fundamental para a utilização de sistema informático único no país.

Pela primeira vez será possível aferir com rigor as taxas de rastreio, número de casos e envolver mulheres sem médico de família, onde se incluem muitas utentes estrangeiras provenientes de países onde não existe qualquer tipo de política de prevenção. Embora a taxa de mortalidade tenha diminuído nestes últimos anos – menos de 200 óbitos anuais –e esteja em curso um programa de vacinação, o Dr. Nuno Miranda considerou imprescindível avançar com um programa de rastreio nacional.

Esta jornada científica – organizadap ela Dra. Maria José Brito, Diretora do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Garcia de Orta, e pelo Dr. Alcides Pereira, Diretor do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia da mesma unidade – teve como objetivo a abordagem atual e futura de uma patologia que representa ainda a segunda causa de morte nas mulheres jovens em todo o mundo, e teve o apoio da Hologic.

O Hospital Garcia de Orta (HGO) implementou, em agosto de 2017, os testes do rastreio de base populacional na região da Península de Setúbal, que tem uma taxa de cobertura de 60%, mas apenas nas mulheres com médico de família. “Temos de chegar a todas as mulheres para erradicar esta doença e evitar mortes, tanto mais que temos uma vacina”, sublinhou a Diretora do Serviço de Anatomia Patológica do HGO.


A Dra. Ana Quintas, médica da Unidade de Colposcopia do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do HGO, apontou as “guidelines” para o rastreio primário com teste de HPV, em que por exemplo, uma mulher que tenha um resultado positivo para os vírus do tipo 16 e 18(considerados de alto risco para o cancro do colo do útero) será referencia da diretamente para a unidade de colposcopia sem triagem citológica.

À positividade para outros tipos de vírus HPV de alto risco, segue-se uma triagem citológica e referenciação.


As experiências de outros países que têm em curso programas de rastreio também estiveram em destaque nesta jornada científica patrocinada pela Sociedade Portuguesa de Citologia. O médico espanhol Antonio Arraiza levou o retrato do País Basco, que vai avançar com um rastreio populacional já a partir do próximo mês. A região tem como experiência de base um programa de rastreio oportunístico organizado que decorre desde 2015 e um programa de vacinação que começou em 2007, com uma taxa de cobertura de 90%. O rastreio está centralizado em toda a região num único hospital com tecnologia de ponta, o que permite uma elevada eficiência, particularmente no tempo de resposta.

Na região de Skane, na Suécia, por exemplo, o programa de rastreio ao HPV primário tem um ano e foi antecedido por um amplo investimento em tecnologia que permite a um único laboratório servir uma população de um milhão e trezentas mil pessoas. O professor e investigador Ola Forslund, responsável pelos testes ao HPV em Skane revelou que o atual rastreio abrange mulheres entre os 30 e os 70 anos e que uma das novidades em estudo é a auto-colheita, ou seja, a distribuição de kits em larga escala para que as mulheres possam fazer a colheita em casa.

O Professor Thomas Iftner da Faculdade de Medicina da Eberhard Karls University of Tuebingen, na Alemanha, que atua no âmbito da prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro colo do útero, apresentou um estudo de “follow-up” de mulheres rastreadas entre os 30 e os 60 anos, com risco para lesões malignas, comparando o desempenho dos testes mRNA versus DNA. Uma análise final preliminar de dados longitudinais (6 anos)aponta para um risco cumulativo semelhante de CIN3, após um teste negativo, baseado em DNA ou em mRNA e um NPV elevado similar de ambos os testes, mas para uma especificidade longitudinal maior do teste mRNA.

Desde 2016 que, na Alemanha, as mulheres após os 35 anos fazem co-teste de HPV e citologia de três em três  anos. Abaixo desta idade fazem apenas uma citologia anual.

Em Portugal, atualmente, efetuam-se rastreios populacionais e rastreios oportunísticos, de diferentes tipos, onde se incluem, o teste de HPV primário e ainda o Papanicolau clássico. O Ministério da Saúde escolheu como método único para o rastreio de base populacional, o teste ao HPV primário por pesquisa de ácidos nucleicos.

Programa em anexo.


09.05.2018.pdf

  • Rastreio do Cancro do Colo do Útero em Portugal: Tempo de Mudança | 9 maio

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